Rolling Stone está à venda

Papa Francisco na capa da Rolling Stone
Papa Francisco diz adeus à Rolling Stone

Não será pedir demais que aqueles que foram especialistas em algo numa dada época o sejam também numa nova era?

Nas artes, não foram os mestres de um determinado estilo que inventaram, em rigor, os estilos seguintes. Lançaram as bases. A questão geracional pesa muito nestas coisas. Se a comunicação é um acto de pessoas para pessoas, então é apenas natural que seja maioritariamente pensada por quem sabe onde estão e como chegar aos seus pares.

Mas a questão geracional pesa também negativamente. Coisas que em tempos foram óbvias para os profissionais do jornalismo, foram-se perdendo ao longo das gerações seguintes. O escândalo de terem publicado uma história que afinal era falsa, em 2014, ilustra bem isso.

Lembro-me sempre do filme “Almost Famous”. O miúdo que estava a começar na Rolling Stone tinha grandes histórias para contar sobre a aventura que viveu com uma banda. Mas na altura de as publicar encontrou muita resistência juntos dos fact checkers da revista, exactamente porque tudo o que ele contasse tinha de ser legitimado com citações dos intervenientes. Até o Wikipédia faz isso.


Mas o facto de eu achar aquilo estranhíssimo quando vi o filme na altura é, por si só, um indicador de que algo já não estava bem com a imprensa na minha geração. Fact checkers? O que era isso?


Podemos estar a viver numa era da desmaterialização da “verdade jornalística”, mas isso, como tudo, passará. Tudo é cíclico. E o que não falta no mundo são pessoas honestas que querem reportar a verdade e proteger as pessoas. Servir as pessoas.

Infelizmente, muitas dessas pessoas honestas que querem trabalhar em jornalismo não têm acesso (leia-se, emprego) aos grandes media porque, em grande parte, o Poder corrompeu as veias dessas instituições. São subjugados, ou compactuam, às vontades bancárias e politicas e contratam sobejamente familiares e amigos que não têm necessariamente paixão por reportar a verdade e servir a população (com excepções, claro).

A crise jornalística é triste e tem destruido muitas vidas.

Mas no grande esquema das coisas, é necessária para que:

a) Quem enriqueceu com empresas jornalísticas perceba que o fez sendo relevante para aqueles que serve. E que a sua acelerada queda está relacionada com a cada vez maior falta de isenção e autismo em relação ao cliente.

b) O velho que não se reciclou dê lugar ao novo, que pode fazer muito mais pelo povo.

c) Sejam introduzidas, em prol do Bem, as tecnologias que já estão a ser utilizadas pelo Mal para disseminar notícias falsas. Sabiam que algumas das notícias mais populares durante a eleição do Trump, Democratas e Republicanas, são falsas?

A solução existe. Eu consigo vê-la. Esperemos que seja aplicada antes que a reputação de quem, afinal, quer combater a corrupção, atinja um nível tão baixo que o mundo mergulhe num período de descrença.

Ensinámos as pessoas a questionar tudo, mas depois não lhes damos o que querem e/ou devem realmente saber – devidamente fundamentado.

Questionem. E de seguida, apresentem a verdade para que o povo possa repousar a sua opinião no que é lógico e real.

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s