Ninguém pára os piratas?

O site sueco The Pirate Bay continua a rir na cara de… bom, toda a gente, na verdade. Parece sempre que vai acabar. Mas cá continua… mais firme que nunca.

O Partido Pirata sueco, que até tem 2 lugares no parlamento e é já terceira maior força politica da Suécia, decidiu dar casa ao serviço gratuito de distribuição digital (usado maioritariamente para fins ilegais). Existe também uma filial portuguesa.

« Cansámos-nos do jogo do gato e rato que Hollywood tem jogado com o Pirate Bay, por isso decidimos oferecer largura de banda ao site. Está na altura de segurar o boi pelos cornos e insurgirmos-nos a favor do que consideramos ser uma actividade legitima.», disse Rick Falkvinge, membro do partido.

Pirataria já foi a principal responsável pela disseminação da Gripe A

Já o pessoal do The Pirate Bay, deixou no seu blog uma mensagem na linha do seu habitual sentido de humor:

«PLZ LEARN: TPB CANT BE SHUT DOWN

LOL!

AS U MITE HAS READ OR NOTICD, PEEPS ONCE AGAIN R TRYIN 2 SHUT US DOWN. DIS WILL NOT SUCCED, LOL. OURS RLY NICE WEBHOST WUZ THREATEND WIF RLY HUGE FINE, SO WE DECIDD 2 MOOV TEH SIET SO DAT THEY DIDNT GOT INTO TROUBLE, LOL. TEH DECISHUN 2 MOOV WUZ TAKEN BY US, TEH PIRATE BAY, LOL.

TEH PIRATE BAY IZ AN UNSINKABLE SHIP. IT WILL SAIL TEH INTERWEBS 4 AS LONG AS WE WANTS IT 2. REMEMBR DAT, K THX.

TPB, ONLY IN IT 4 TEH LULZ SINCE 2003»

A combinação das letras negrito assume a forma de um insulto mais directo.

Relembro que os 4 gestores do The Pirate Bay foram condenados, em 2009,  a 1 ano de prisão e  a pagar uma multa entre eles de mais de 3 milhões de euros.  No entanto, o quarteto recorreu, acusando o juiz de basear a sua sentença em interesses políticos, e continua à aguardar novo veredicto. De notar que a legitimidade do site nunca esteve em julgamento, mas sim os 4 jovens, acusados de facilitar o acesso a conteúdos ilegais.

Sou só eu que acho este argumento ridículo? Isto é o melhor que os melhores especialistas em direito conseguem arranjar? Uma sentença baseada em intenções, em boa ou má “onda”?

Por esta lógica de ideia temos de começar por processar quem faz computadores, sistemas operativos, todos os produtores de browsers de Internet e os nossos fornecedores de Internet. HP, Microsoft, Apple, Google, Sapo, Meo, Zon, e centenas de outras empresas, cuidado! Vocês estão a compactuar com quem descarrega conteúdos de forma ilegal!

Ao inventar o sistema peer to peer a miudagem descobriu um buraco na lei há anos, e em vez de se estar a tentar resolver o problema estruturalmente, continua-se a tapar buracos com argumentos destes. HÁ ANOS!

São apenas “miúdos” a serem miúdos, a desafiarem os “adultos” e a f%$#em tudo simplesmente porque podem. E enquanto os adultos não levarem o problema a sério, os miúdos continuarão a poder. Não vale a pena chorar, formar ou pedir com jeitinho porque fazer maldades, em especial maldades fáceis de fazer e com tanto retorno para quem faz o mal, como a partilha ilegal de ficheiros proporciona, faz parte de ser puto, e de ser Humano.

«Malditos piratas sempre a – Ooooh, que gatinho tão fofinhoooo!»

Já perdi a esperança nas gerações mais velhas que a minha. Simplesmente não têm capacidade para perceber os novos paradigmas e não sabem fazer mais nada que não seja queixarem-se.

Terão que ser os mais novos a resolver isto. O Partido Pirata e a organização Electronic Frontier Foundation são já sinais de reacção no sentido certo. Esperemos.

Gráfico altamente cientifico sobre os destinos do dinheiro que agora, por culpa da pirataria, alguém já não ganha

29 thoughts on “Ninguém pára os piratas?

  1. É aquele argumento de pescadinha de rabo na boca, com a diferença de que ao contrário da pescada, leva o rabo à boca por vontade própria. Não obstante os problemas que a pirataria traz, os argumentos contra a mesma continuam a ser autênticos McCarthismos, ou pior, tão válidos quanto a ideia de que a masturbação cegava os homens. A não ser que estejam a apontar para o lado errado ou a ver porno em 3D, é idiota.

    Por outro lado, se é verdade que inúmeros estúdios e editoras embarcam em cruzadas infrutíferas e com poucas ou nenhumas metas alcançadas – caso gritante da Ubisoft, que canta sobre as virtudes do seu DRM quando já foi crackado, e posso testemunhar em tribunal que é verdade – também me ocorre que muitas vezes se perde mais tempo a defender ou a atacar a pirataria sem verdadeiramente se encontrar uma solução.

    Sim, os consumidores legítimos compram jogos, e a julgar por certos estudos até têm imensa vontade de o fazer – como o caso daquela notícia no Hi-Gamers onde eu fui burro demais para descortinar a diferença entre milhões e bilhões (go journalism go), onde 25.3 mil milhões de dólares, só no mercado NA, foram gastos em videojogos. Sim, há que acompanhar as tendências e repensar modelos de negócio, infraestruturas, mais valias para os consumidores. Muitos hardcoristas, e até alguns estúdios, batem no peito e dizem que jogos desde Buzz! a Farmville não são “jogos a sério”, mas a verdade é que estes têm imenso apelo e imensos jogadores assíduos – e não sofrem com a pirataria. Lá está. De um lado, Mike Capps da Epic a não se conseguir sentar porque está dorido com a suposta pirataria de um jogo que ninguém comprou em PC porque demorou um ano a ser lançado para essa plataforma e com fraco apoio pós-lançamento. Do outro, Mark Pincus da Zynga a rebolar em dólares. Venham reclamar venham, a vossa sorte é não haver um Tyler Durden que vos incendeie a indústria para ela renascer das cinzas, porque por vezes, é o que parecem merecer. E depois temos a Sega, que tem um historial de jogos de consolas, a entender na perfeição as realidades do PC e as necessidades do consumidor – o sistema DRM que vão usar no Alpha Protocol só precisa de uma activação online (que nem sequer precisa de ser feita a partir do PC onde se joga, pode ser feita noutro e depois transfere-se um código, genial), permite em teoria licenças ilimitadas e não vai precisar do DVD na drive. Morreu um ouriço azul, nasceu uma compreensão porreira do que é lançar jogos em PC. Consigo viver com isso.

    Mas também me ocorre aquele tipo de pessoa que não se enquandra no consumidor legítimo, que pirateia “porque sim”. Tanto um grupo como o outro sempre vai existir e se é verdade que é preciso adaptarmo-nos às novas tendências, não sei se será completamente honesto discartar o impacto dos piratas. Não defendo a pirataria mas apesar de achar que em certa medida a indústria merece alguns dos seus efeitos e que os prejuízos são por vezes fictícios ou facilmente corrompidos (velha falácia de uma cópia pirata equivaler a uma venda perdida, por exemplo), penso que algo terá que ser feito.

    O quê não sei dizer, porque sou consumidor legítimo, mesmo com todos os problemas que isso pode trazer como… Comprar jogos novos e originais que me são enviados em caixas esmigalhadas ou que não carregam consigo códigos ou chaves de produto necessárias e cujas lojas nos tratam como idiotas até eu ameaçar com queixas a autoridades competentes na área (true story).

    No outro dia falei disto com uma pessoa, e tinha sugerido um método de suicídio electrónico. A ideia assentava num pedaço de hardware e de software incluirem um sistema de gatilho temporizado e de reconhecimento mútuo, ou seja: imaginemos uma DS e um RD4 (nunca sei o nome, posso estar errado, mas sabes do que falo). Mal o hardware da DS reconheça a ligação da portátil a um RD4, activa um sistema que desintegra o software do cartucho. Literalmente. Ou, menos extremo, bloqueia fisicamente o acesso ao jogo. Ora, isto parte do principio que a ideia é boa – mas, tal como a pirataria digital tem as suas maneiras, também nao é tão dificil quanto isso modificar algo físico (ainda me lembro de quando levei a minha PSX a ser chipada). No entanto, o problema é que também parte do erro da suspeita: possivelmente haverá algum uso legítimo para um RD4 (não sei, não preciso de usar um nem nunca usei), e se assim for, alguém vê-se privado de algo que iria usar com fins legítimos.

    Também me lembro de quando muitos se queixaram de como a Nintendo tinha optado pelo sistema de cartuchos na N64. A verdade é que o sistema de CDs da PSX permitiu a muitos chiparem essa consola. Se não estou em erro, essa “pirataria” ajudou em parte à PSX tornar-se no que se tornou. Irónico.

    Terá que haver alguma maneira, só não sei qual.

  2. Por Tiago Sousa: «Excelente artigo Gonçalo e concordo plenamente. Há anos que se vêm combatendo a pirataria exactamente da forma que ela quer, desafiando-a e dando-lhe oportunidade para continuar a dar chapadas de luva branca a quem têm o desplante de lhe fazer frente e vamos continuar assim durante muitos anos, vais ver».

  3. Por Nelson Calvinho: «não sei se é mais absurda a mensagem adolescento-acéfala dos gajos ou achares que todos os adolescentes são acéfalos e usar isso como justificação para a pirataria, mas pronto, já tivemos esta conversa muitas vezes. Claro que nunca tinha ouvido usar a idade ou as hormonas como argumento neste debate. kudos pela originalidade».

  4. Não defendo a pirataria, condeno a falta de capacidade para lidar com ela.

    Dou exemplo da idade como mostra de que o Pirate Bay foi criado por putos com vontade de ser rebeldes, de provar que são mais espertos que os poderes instituídos. O Napseter também. etc, etc. Não são os velhos que estão a mudar o mundo (para bem ou para o mal). Sempre foi assim.

    É o mesmo com a malta que faz cracks para softwares e afis. se leres os disclaimers deles percebes isso. é uma questão de honra e ser um granda maluco e um rebelde. Motivação potenciada por essa chico esperteza, não só lhes massacrar o ego, como lhes permitir ter cenas de borla. É claro que eles não têm consciência que estão a roubar a eles próprios. Mas ser chico-espero é isso mesmo.

    Alem disso falo em Humanidade também, não limito a coisa à idade.🙂

  5. Pra que não tenhas que andar a cometer crimes informáticos😛

    Não vos parece preocupante que uma “força” dessas tenha chegado a um assento politico e sendo, segundo o Gonçalo, já a terceira maior? Estamos a falar de gente adulta que só chegaria a esse “poder” eleitos e apoiados por adultos. Jovens adultos ou reformados é outra questão. O facto é que lá estão e deverão ser alvo de estudo, pois nenhuma partido chega ao poder, mesmo insignificante se não tiver voz popular. Nelson o caso, nesta perspectiva, vai bem para além de um grupo organizado a tentar lutar contra um poder. É um grupo organizado que está a ganhá-lo, ao que parece, cada vez mais e compará-los com os Super Dragões é a atitude que reprovo na industria. Talvez se já não os vissem como arruaceiros que querem somente roubar e chamar a atenção, já se tivesse arranjado métodos melhores de os combater.

  6. Por Nelson Calvinho: «estar sistematicamente a escrever posts sobre o assunto só para condenar a falta de eficácia no combate à pirataria? Afinal temos um cruzado! ;-P
    continuo a achar o argumento da idade absurdo a não ser que seja para demonstrar que gajos que até já têm idade para se organizar à sombra de um partido político travam uma luta “contra o poder” tão válida como a dos SuperDragões contra as bombas de serviço. estar a colar isso a movimentos de contracultura é que é uma chico-esperteza».

  7. Por Nelson Calvinho: «@tiago: sim, é preocupante. se chegar a um assento político lhes dá razão? Respondo o seguinte: Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães».

  8. Combater balas com espadas é será sempre retardado (a não ser que estejamos no Star wars) e sendo este blog sobre tecnologia, o tema surge várias vezes por estar tudo interrelacionado.

    Não estou a defender os parvecos do pirate bay, nem o partido Pirata porque sobre estes últimos pouco sei. Linkei para a página de wiki deles porque explica lá o que eles defendem… no papel. Quais as suas reais intenções e consequências das suas acções não sei, isso apenas o futuro dirá. Supostamente defendem a reforma das leis de direitos de autor e o direito à privacidade.

    «The party strives to reform laws regarding copyright and patents. The agenda also includes support for a strengthening of the right to privacy, both on the Internet and in everyday life, and the transparency of state administration.[1] The Party has intentionally chosen to be block independent on the traditional left-right scale[2] to pursue their political agenda with all mainstream parties».

  9. Por Tiago Sousa: «Exactamente Nelson. Eu relembro que esse partido não existia popularmente até uma certa crise de 1930, daí eu digo continue-se a olhar de lado como a Alemanha fez com o PN que qualquer dia eles podem estar a olhar-vos de cima».

  10. Por Nelson Calvinho: «ninguém olha de lado para a pirataria porque ela entra pelas casas e empresas dentro e é dos temas mais debatidos da actualidade (pudera, quando há economias paralelas que dão rendimentos maiores do que o PIB de algumas economias a tudo menos a estes “Robin Hoods” de pacotilha, não há outro remédio senão levar a sério e discutir… a sério). Estou simplesmente a questionar a “bondade” da vossa preocupação com a pirataria; e a questionar a ideia que estavas a deixar implícita (conscientemente ou não) de que o facto de terem assento parlamentar por votação popular faz com que um partido seja mais ou menos “bom”, ou “legítimo”, ou sério nas suas intenções, ou sequer intelectualmente honesto. Enfim, o Manuel João Vieira também se candidatou a Presidente da República e não é por isso que merece mais ou menos reflexão ou consideração».

  11. Não não percebeste mal. Por outras palavras o que quis dizer é que por muito ilegítimo que seja o seu objectivo o facto é que está a receber apoio de muita gente. O que quis dizer é que não é preocupante que exista um grupo destes, não é isso que preocupa, preocupa sim existir tanta gente que os apoia e acabam assim por achar honestos e legítimos os seus valores e ideias. Isso é que é preocupante não é o grupo é o facto de ter apoio, pois qualquer grupo, especialmente politico, se não encontrar eco nas mentes de quem os elege, não existe.

    O que é preocupante é, portanto, o facto de grupos destes estarem a subir em apoio popular, quando as empresas e os outros grupos contra a pirataria parecem estar a perdê-lo, ou, pelo menos, a não conseguirem mudar minimamente nada. Isso é que preocupa e que deve ser reflectido, porque não será com certeza alheio os métodos usados para combater a pirataria directamente em situações destas.

  12. My 2 cents: Acho que, como no jornalismo, é uma questão de paradigma, que está a mudar e ninguém quer ver. Fecha-se os olhos porque é mais confortável e sempre vai caindo algum dinheiro. E depois acaba-se a fazer cruzadas contra a pirataria e a verdade, como alguém já aqui disse, é que ninguém pirateia os jogos da zynga e afins. Estes não precisam mesmo de se meter na guerra dos outros simplesmente porque mudaram o paradigma. Pensaram fora da caixa. E estou certo que não há só aquele espaço fora da caixa. Haverá, com certeza, outros, até mais rentáveis e… catitas.

  13. Bem visto Marco, a Zynga é mais um exemplo de como ganhar dinheiro abraçando as novas tecnologias em vez de tomar posição de velho do Restelo.

    Talvez a solução para a pirataria não venha a ser uma solução de todo, mas várias: um conjunto de mudanças sócio-culturais que arrebata as pessoas e as leve a consumir as coisas de uma nova forma, rentável para quem as proporciona… como acontece com a zynga e o seu farmville, mafia wars, etc.

  14. Por Nelson Calvinho: «ninguém olha de lado para a pirataria porque ela entra pelas casas e empresas dentro e é dos temas mais debatidos da actualidade (pudera, quando há economias paralelas que dão rendimentos maiores do que o PIB de algumas economias a tudo menos a estes “Robin Hoods” de pacotilha, não há outro remédio senão levar a sério e discutir… a sério). Estou simplesmente a questionar a “bondade” da vossa preocupação com a pirataria; e a questionar a ideia que estavas a deixar implícita (conscientemente ou não) de que o facto de terem assento parlamentar por votação popular faz com que um partido seja mais ou menos “bom”, ou “legítimo”, ou sério nas suas intenções, ou sequer intelectualmente honesto. Enfim, o Manuel João Vieira também se candidatou a Presidente da República e não é por isso que merece mais ou menos reflexão ou consideração.»

  15. Por Nelson Calvinho «haverá muitos que votam por conhecerem o programa e o apoiarem porque sinceramente acreditam nele e o defendem (anarquistas, malta de extrema esquerda, etc), mas acho que a maioria apoia simplesmente porque acha piadinha ou tipo voto de protesto, como muitas vezes acontece na extrema direita. até aposto que há quem vote num partido pirata sem associar o termo “pirata” a questões como distribuição ilegal ou a direitos de autor. mas isto sou eu a especular.
    este tipo de epifenómenos tende a desvanecer rapidamente, como uma piada que se gasta. os partidos de protesto raramente resistem quando não têm substância política séria (mais uma vez ver o exemplo de partidos de extrema direita)
    Tuesday at 18:08 ·

    Seja como for, o discurso do “não os levem a sério não que depois eles riem-se”, repetido uma e outra vez, acaba por soar à mais elementar demagogia e levar À questão: ok, então e VOCÊS, se estão tão preocupados, o que fariam? e não respondam que “não é comigo, isso é com quem manda, só estou curioso para ver o que acontece”, etc., tipo voyeur de acidentes automóveis»

  16. Eu estou preocupado com o Cancro e com a Sida e não tenho solução para eles. Isso não impede que sejam temas que me interessem e de gostar acompanhar de perto quem tem competência para eventualmente resolver o problema.

    Dito isto, tenho algumas ideias, mas estou a guardá-las para ficar rico😛

  17. Por Nelson Calvinho: «falando de demagogia…
    o é que apesar de tudo não usas o cancro e a sida. quando muito uns virus no PC. enfim, conversa beco sem saída. e é sempre menos cool não ser um jovem radical “fight da powa”
    …e não escreves sobre medicina lol»

  18. Por Tiago Sousa «Não sei que faria, mas sei o que não faria.
    DRM’s, que levantam mais questões que as que respondem, vistos de soslaio por quem supostamente está a defender, o consumidor legitimo.
    Atitudes como as da Capcom que quase à cara podre nos diz que retirou conteúdo de jogo para lançar mais tarde como DLC.
    A luta, segundo alguns, mais premente que a pirataria, do mercado de segunda mão, que coloca esta industria como a única que conheço, tirando alimentação, saúde e preservativos por razões óbvias, que está activamente a lutar contra ela, quando se formos a ver bem outras industrias têm prejuízos muito maiores com este mercado (automóvel p.e.)
    A desculpa da pirataria para os preços de outrora quando num sistema como a PS3 sem pirataria isso, agora no presente, não se reflecte no preço.

    Algumas sugestões, lembrar-me-ei mais tarde de outras que ajudam é a minar a credibilidade desta industria, que por sua vez acabam por desvirtuar o pensamento dos consumidores não ajudando ninguém.
    Numa industria que chega ao ponto de ter a esmagadora maioria dos consumidores a chamar de gatunos e chulos a uma Activision, não se pense nunca que se vai puder combater a pirataria.»

  19. Por Nelson Calvinho «@tiago: podendo concordar ou nao com os pontos que estabeleces, lá está, ao menos são perfeitamente legítimos e intelectualmente honestos. mas também tens de reconhecer que deixar de tomar essas atitudes que condenas não é suficiente para resolver ou sequer minimizar o problema.
    Por exemplo, o mercado de segunda mão pode ajudar a reduzir a pirataria, mas na prática é dinheiro que quem produz os videojogos acaba por não ver, pelo menos no modelo em que esses mercados de segunda-mão existem. portanto não contribuem para redução de preços dos originais – e alguém vai ter de continuar a pagar pelos originais, caso contrário não há segunda-mão. E o mercado da segunda-mão também pode jogar CONTRA quem defende a pirataria: se podem comprar jogos ao preço da chuva no eBay, como é que depois têm a lata de piratear com a desculpa de que não têm dinheiro para comprar jogos, ou atacam as editoras por combater o mercado da segunda-mão? Se há canções digitais a um euro, porque insistir em pirateá-las?
    a questão da pirataria é muito mais profunda. em parte é puro hooliganismo, em parte é um sintoma de que as sociedades e os consumidores de hoje mudam muito mais rapidamente do que os mercados são capazes de reagir, provocando disparidades entre o que o consumidor exige e o que o mercado é capaz de oferecer – e, nesse caminho, criam-se estes limbos. agora não venham é com a conversa do robin hood, por favor. não é honesto.»

  20. Gonçalo Brito E é por isso que defendo há anos que a solução tem de passar por competir com os serviços gratuitos, prestando serviços melhores ou simplesmente diferentes com uma lógica completamente fora.

    Usem a cabeça, sejam criativos, os negócios são vossos! querem salvá-los ou não? Então mexam-se. É injusto estarem a ser pirateados, mas ficar a chorar sobre isso não paga contas.

    O iTunes e muitos outros serviços já provaram que é possível continuar a cobrar por conteúdos digitais, tem é de se oferecer um serviço MELHOR, como o caso do serviço integrado da Apple.

    É claro que o iTunes não é o D. Sebatião da net. Serve para si. Mas a Apple deu-se ao trabalho de pensar numa solução que beneficiasse o consumidor sem o tratar como criminoso (que na verdade até é, mas não se pode tratar os clientes dessa forma, como é óbvio). Por isso, toca a pensar.

  21. Por Nelson Calvinho «explica-me lá então em que crimes é que o criminoso pode ser tratado como tal: já vimos que pirataria não. fuga aos impostos? sim, não? roubar uvas na mercearia? bater no gajo que nos topa a namorada? será mais uma tarefa para os fantásticos super-comentadores desempenharem na sua infindável e epistemológica tarefa de explicar o mundo. e se o iTunes é uma resposta, como é que há muito mais gente a sacar essas músicas de borla em comparação com as pessoas que estão dispostas a pagá-la (por 99 cêntimos, uma fortuna)? E então de onde vem a polémica com os DRMs da Apple? E os artistas que não têm direito a estar no iTunes e que não têm dinheiro, editoras e marketing para serem sequer conhecidos, quando mais andarem a acederem a um circuito de concertos lucrativo e oferecer conteúdos de borla como fizeram os Radiohead? vá lá, e eu até tinha pedido para não darem a típica resposta do “isso não é comigo, o negócio é vosso”, como se o negócio não fosse uma relação bilateral fornecedor-utilizador. quando nos querem fazer pagar somos todos comunistas, não é?»

  22. Acho que não percebeste, no final do post estava a ironizar sobre a malta que diz que não compra porque os sistemas anti-copia os tratam como criminosos. Quando sabemos que essa malta não compraria de qq forma. Daí dizer que não se pode tratar os consumidores como criminosos, mas que, na verdade, sabemos bem que uma boa parte desses potencias clientes são criminosos e sacam de qualquer forma.

    Não disse que o iTunes era perfeito. Gostava que se tivesse contabilizado nos anos 80 quantas pessoas compravam os discos originais e quantas gravavam numa casste do original do amigo…

    E o resto… faria sentido se eu estivesse aqui a defender a pirataria. Não defendo a pirataria, sei bem as suas repercussões mas também condeno as tristes medidas que têm sido tomadas que não têm resolvido nada, e isso é inegável.

    De resto concordo contigo, claro

    E também não te vejo a sugerir nada de construtivo para alem do choro do costume “morte aos piratas” e pronto. Se achas que por gritares mais alto o problema se resolve sozinho…

  23. Por Nelson Calvinho: «nos anos 80 copiava-se de amigos. era uma partilha de música que se gostava e queríamos que outros amigos conhecessem, porque não havia uma Internet na ponta dos dedos que nos fizesse conhecer e ter tudo em segundos. não só não tenho nada contra como acho que é uma forma de respeito pela música, quase romântica. agora os “amigos” de quem fazes cópias são redes mundiais de milhões de anónimos que frequentemente enchem gigas e terabytes de música, filmes ou jogos só para dizer que sim e irem picando tudo em ritmo hiper-activo. para muitos deles “falar de música” é espalhar insultos na Net e poucos devem estar preocupados em saber se os amigos já conhecem aquele segredo, aquela novidade, porque lhes são enfiados pela goela e ouvidos dentro dezenas de novidades por mês e porque não há tempo para descobrir e saborear segredos. apesar de tudo há uma diferença.
    não estou a gritar e muito menos a contar que o problema se resolva sozinho. aliás, nem conto que o problema se resolva, ponto final. não gosto é de robin hoods, porque no final a única “verdade” nesta discussão está na consciência de cada um.»

  24. Sim, vivi plenamente esses dias e concordo… plenamente. Era quase romântico, gosto de como isso soa, era meamo🙂

    Já me tinha esquecido o cerna da nossa discórdia. Tu não acreditas que se venha resolver, eu acredito. Era isso. Já não me lembrava. We agree to disagree then🙂

  25. Não concordo nem discordo muito pelo contrário, acho que o importante é que interessa. Meanwhile, é tão pirata o fedelho que saca o jogo para o seu R4 como a Nintendo que obriga a recomprar o catálogo de jogos digitais. No fundo, isto é uma guerra a ver quem é o maior ladrão. PiraCtas tão ganhando, sinto!

  26. Sim, penso que todos concordamos que existe muita coisa mal feita de parte a parte. O sistema chamodo de legal não é perfeito, e piratear não vai fazer melhor.

    Desde que não se use “o sistema” como desculpa para piratear…

  27. Dos tempos do velhinho fórum da MegaScore, lembro-me de uma discussão muito semelhante a esta. E, invariavelmente, o Nelson Calvinho aparece como uma atitude exasperada, como se a “pirataria” fosse um cancro da sociedade sem qualquer remissão possível (quer no sentido da sua destruição, quer no sentido de ter algum aspecto positivo). A posição curiosa que observo é a do Gonçalo, que parece estar numa de ficar de bem “com Deus e com o Diabo”.

    Nestes anos, apercebi-me de vários pormenores que fazem falta trazer para a discussão. O primeiro, e mais importante, é a definição do que é “pirataria”. Genericamente, é entendida como a violação do ‘Copyright’. E aqui vai um artigo bem ponderado acerca do que é isto: http://blog.wolftune.com/2008/06/rational-view-of-copyright.html

    O segundo ponto que temos que ponderar é a forma como afecta a indústria em particular que estamos a falar. Se estivermos a falar da indústria da música, na qual a maioria dos artistas não recebe nada de significante de royalties da venda de CD/MP3, mas interessa-lhes a divulgação para maximizar os concertos, há quem defenda essa divulgação por todos os meios disponíveis. A indústria do cinema, que tem gerado milhões crescentes, vive da exposição de filmes (e da venda de comidas e bebidas altamente açucaradas, bem como “taxas” para se visualizarem coisas em 3 dimensões), mas também tem um segundo mercado na forma de DVD/BluRay (e há quem defenda que o hábito de ver filmes piratas cria uma necessidade que irá levar dinheiro para a indústria a médio/longo prazo). Já a indústria dos jogos, não há nenhuma outra forma de fazer dinheiro: ou os jogos vendem ou azar (apesar de também poder invocar o argumento pró-pirata da indústria cinematográfica).

    Antes de decidirmos o que fazer, temos que quantificar os danos efectivos da “pirataria”. Como o Diogo Ribeiro afirmou, uma cópia pirata não é igual a uma venda perdida. No entanto, os números que vêm a público são de uma falta de transparência gritantes, que provoca confusão e ruído no que toca a prevenir a “pirataria”. Um apelo ao Nélson, que trabalha (ou trabalhou) na Nintendo Portugal: tens números credíveis acerca da pirataria nos produtos Nintendo? Que percentagens do total de vendas em Portugal é que estamos a falar?

    Depois disso tudo, temos um novo problema que importa tratar: quando uma das indústrias acima referidas (ou outra, como a livreira), vende um produto (ou licença ou suporte onde está o produto – o que lhe quiserem chamar…), está a vender uma única unidade desse mesmo produto. Como é que tratamos aqueles amigalhaços que decidem comprar as coisas a meias (um CD de qualquer coisa para duas pessoas)? Cá em Portugal, nem sequer foi isto tido em conta na nova Lei da Cópia Privada – basicamente, todos iremos passar a pagar taxas nos suportes que podem armazenar dados para compensar a não-venda de uma segunda unidade a uma dada pessoa.

    Depois disto tudo, o que fazer para que os criadores (e os investidores e os distribuidores e os retalhistas) tenham a recompensa monetária que merecem devido aos seus esforços (vertente video-jogos)? Novamente, pegando no que o Diogo Ribeiro diz, não adianta disparar contra tudo e contra todos (com sistemas de DRM cada vez mais restritivos ou always online, estilo Diablo 3 e Sim City 5) – existem sempre um conjunto de indivíduos que não aderem ao que a nossa sociedade considera “normal”. Mas esses sujeitos também não interessam, porque esses não são os clientes. Apostar em oferecer uma experiência mais rica e menos culpabilizante aos clientes parece ser uma boa maneira de fazer negócios (por exemplo, GOG.com). E que tal deixar ao critério dos clientes quanto irão pagar pelos jogos (Humble Bundle e afins)? Ou até introduzir alguns clientes de jogo que, limitando a liberdade dos jogadores o mínimo possível, potenciam a criação de uma biblioteca virtual de jogos, muitos dos quais elegíveis para frequentes promoções (como no Steam)? No fundo, criar condições para quem quiser comprar o possa fazer (ou arriscamos a mais situações sensacionalistas como a pirataria ser 11:1 de cópias legais no Football Manager 2013 para Android – a China é responsável por cerca de um terço, mas os chineses não têm acesso a jogos pagos na Play Store. Fonte dos números: http://www.theguardian.com/technology/2013/nov/14/football-manager-2013-game-piracy – é curiosa a posição de Portugal em terceiro lugar).

    Finalmente, a última coisa que podemos fazer é promover o crescimento económico como um todo. Uma parte de jogadores que se identificam como “piratas” dizem que não compram jogos porque não têm disponibilidade monetária para o fazer (crianças, pessoas que vivem em países subdesenvolvidos, etc.). Nenhum destes conseguiria criar um ‘site’ de partilha de ficheiros, mas têm mil razões para agradecer ao The Pirate Bay.

    PS: Não tenho nada contra o NCalvin. Apenas não quero que sofra um enfarte por causa deste assunto.😉

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