Mas porque é que o velho não morre?

Os clubes de video iam matar as salas de cinema… a TV ia matar a Rádio, a Internet ia matar a Rádio, a TV e as revistas em papel… e o iPad vai matar todos estes meios e ainda o PC.

No entanto cá estamos, em 2010, com todos estes suportes vivos e a coexistir. Independentemente da crise que um ou outro possa estar a atravessar, eles continuam todos cá. Não se mataram uns aos outros como os pessimistas preveriam. A razão? Servem propósitos diferentes.

De um lado temos as experiências que nos guiam: a TV, o Cinema, a Rádio e as Revistas/livros…

Do outro as experiências que temos de ser nós a guiar: o aluguer/dowload de um filme/série TV, a criação de playslists de Mp3 num leitor ou em sites de streaming, o clicar e viajar por sites em busca de informação…

É verdade que o ser humano adora criar – fazer coisas com as suas próprias mãos. As ultimas décadas são uma explosão de Do It Yourself, mas isso não quer dizer que tenhamos sempre disposição para estar a criar e a personalizar. Por vezes só nos queremos refastelar e não ter de pensar para lá do suficiente para entender o que os nosso olhos e ouvidos estão a receber. Por vezes não nos apetece fazer escolhas. Por vezes nem sequer temos a capacidade de fazer as melhores escolhas para nós, e sabemos disso. Por vezes queremos ser mimados.

E é nessas alturas que compramos revistas e livros, que ligamos o rádio, que vamos passear ao cinema, ou que vemos filmes na TV – em especial ao domingo, quando a ressaca não permite fazer mais do que estar deitado no sofá a ser entretido. A ser guiado.

Os formatos e plataformas costumam “morrer” quando surge algo novo que faz o mesmo (ou melhor) de forma mais prática (vinil vs CD vs MP3 vs audio streaming, por exemplo), e esse não é o caso. Pelo menos para já. Mas mesmo o CD, que apresenta inúmeras vantagens sobre o disco vinil,  nunca matou realmente o vinil, tal como os amplificadores digitais nunca mataram os “valvulados”, porque existem características físicas que o digital simplesmente ainda não consegue substituir.

E será que algum dia conseguirá? Já há exemplos de que sim. O Mp3 é mais prático e pode ser codificado de forma a atingir a qualidade sonora de um CD. Logo o CD deverá morrer. O mesmo se passa com o VHS. O formato digital HD  apresenta vantagens a todos os níveis em relação às velhinhas cassetes de vídeo. Logo, o VHS morre.

Da mesma forma, quando a Música e Video de alta qualidade estiverem totalmente disponíveis via stream directo da Internet, os seus pares físicos deixam de fazer sentido. Excluindo os coleccionadores, quem vai querer uma prateleira cheia de caixas de CDs e DVDs quando pode ter isso e muito mais armazenado num disco rígido, ou, num futuro próximo, no seu “disco” virtual (na Cloud).

A decadência geral dos formatos que se tem vindo a verificar, tem mais a ver com quantidade do que com qualidade. É que agora há muito mais coisas a disputar a nossa atenção, nomeadamente todas as experiências já referidas. Enquanto antes uma viagem de comboio ou avião era acompanhada de um livro, jornal, revista ou walkman, agora pode ser acompanhada por PCs e DVDs portáteis, leitores de mp4, consolas portáteis, consulta de emails e surf de internet em geral. A escolha aumentou.

Há formatos que não vão morrer. Simplesmente nunca mais serão tão populares como foram em tempos.

Prevejo que as revistas e jornais em papel, por exemplo, nunca desapareçam, mas se tornem em objectos caros de produzir e por isso caros para o consumidor. Só os comprará quem tiver dinheiro para isso e vontade de ler artigos de fundo de alta qualidade. As noticias e restante informação dependente de actualidade – e que não requeira os melhores e mais caros jornalistas do mundo para ser feita – será gratuita online, como já se vai verificando.

Net para o povo e Papel para os ricos.

Este é apenas um pequeno artigo, obviamente incompleto, escrito de um jorro só. Cada tema aqui apresentado tem sumo suficiente para encher livros inteiros.

Gostaria de o completar com as vossas opiniões. O que acham de tudo isto?

10 thoughts on “Mas porque é que o velho não morre?

  1. Puxa! Realmente há aqui muito suminho.

    Comecei a ler o post e lembrei-me imediatamente do Fax. As suas vantagens levaram a que a maioria das empresas tivesse um. Actualmente, o cenário é diferente. O Fax tem agora um uso residual – não é muito mais fácil usar o e-mail? Mas lá está, esta substituição deve-se ao facto de não ter uma utilidade única, não serve um propósito diferente. E acho que não vai resistir por muito mais tempo…

    Curioso é o tal exemplo dos CDs. Eu sou uma resistente. Tenho um MP3 Player e tenho um Discman. Neste momento não faço ideia em qual gaveta ‘ta o MP3, mas sei bem que o Discman está ali na minha mala. Nem tem tanto a ver com qualidades técnicas. É simplesmente um conforto diferente. É aquela atracção de ter tudo o que é físico em detrimento do que é meramente digital. Dá um gostinho único. Parece que comprar (para evitar agora ir por caminhos piratas) para depois essa compra ficar só ali numa caixinha (disco, mp3 player, etc…), não gera um aconchego necessário. Parece que não se adquiriu nada…

    Sim, acho que a TV não é substituível. Tão-pouco o PC. Ou mesmo o telefone fixo, apesar de cada vez mais gente ter o mesmo instalado em casa (chamadas gratuitas também ajudam =P).

    Acho que queremos ter tudo. Tudo para todas as situações. Para quando não temos nada para fazer, para o trabalho, para o lazer, para o convívio, para os domingos de ressaca ou para os dias em que se chega cansado do trabalho, para os transportes públicos (avião, inclusive), para o carro, para a cama, para a escola, para a noite – situações diferentes que pedem aparelhos diferentes e que resultam na sobrevivência de todos, mesmo daqueles que parecem estar por um fio.

  2. Por Vitor Dantas: «Em relação mais ao teu comentário do que ao post em si, a existência do fax vai-se justificando no envio de documentos que têm de ser assinados enquanto uma assinatura digital não for uma hipótese viáve».
    Saturday at 18:00

  3. Por Eduardo Neto: «Então, porque muitas vezes a tecnologia é mais cara, mais especifica e menos intuitiva. Um alicate e uma chave de fendas fazem muita coisa!»

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