Metal Up Your Ears!

Provavelmente já se cruzaram algures por essa net’a’fora com a recente polémica à volta do CD “Death Magnetic”, o novo bebé dos Metallica.

O mote para a discussão é a chamada Loudeness War, uma guerra travada já há uns anos nos bastidores entre engenheiros de som, que competem para conseguir o mais elevado nível de volume sem atingir a distorção.

Para realizar tal feito, é necessário aplicar ao áudio um elevado nível de compressão. O problema é que quanto mais compressão se aplica, menos qualidade de som se tem e menores são as diferenças entre os momentos fortes e fracos das músicas (o chamado Dynamic Range).

Há quem defenda que essa guerra é também responsável pela sonoridade formatada e “soa tudo ao mesmo” que costumamos ouvir nos temas mainstream, que normalmente tocam em rádios e afins.

Tudo ia bem na terra encantada do Metallica até que “Death Magnetic” chegou ao jogo Guitar Hero 3. Aparentemente, a sonoridade do ultimo álbum do quarteto metaleiro é estupidamente mais cristalina em versão de videojogo do que em versão CD.

O vídeo que se segue pretende provar que “Death Magnetic” é mais uma vitima da Loudness War.

Seja como for, acho que a malta não está bem a perceber a coisa. Quando se trata de uma das maiores bandas do mundo, é certo que  NADA acontece por acaso. Se o CD tem a sonoridade que tem, então é porque é suposto soar assim, certo? Especialmente quando vem do covil de tipos tão control freaks como o James e o Lars.

Já quando a banda lançou “Saint Anger”, inúmeros energúmenos (rima feliz) urraram que o disco tinha um som péssimo, incapacitados de compreender que aquela sonoridade era uma opção estética (e magnifica, na minha opinião).

O que se segue? Será que o próximo álbum dos Ministry vai ser ser trucidado por um bando de néticos desesperados por atenção, que exigirão uma versão “menos barulhenta” (quiçá acústica) do disco?

Quando chegamos ao ponto de achar que a versão de um disco conforme nos é apresentada num videojogo está mais “correcta” do que a original… alguem precisa de fazer um ego check.

Podem ler mais sobre este assunto aqui e aqui. E deixar a vossa opinião em estrangeiro aqui.

E vocês? ouviram o disco? o que acham?

5 thoughts on “Metal Up Your Ears!

  1. Gostava de contribuir, mas sou inculto nesta matéria dado que:

    *A música, de uma perspectiva técnica, não é o meu forte. No entanto, sou bom a bater o pézinho;
    *Já não ouço Metallica desde… Aquele álbum duplo de ‘covers’ em que eles adoptaram o nome de Metallicats. E o último álbum deles que gostei foi o ‘Black Album’ – afirmação que me deve situar simultaneamente num lugar comum (porque foi o último disco deles cuja sonoridade me interessava) e no de energúmeno (porque há quem considere ‘Metallica’ o nome oficial do álbum)😦
    *Já ando muito actualizado e como não tenho amigos, nem amigos que tenham o Guitar Hero 3, nem amigos que – se o tivessem – me convidariam a partilhar alguns momentos de jogatina com ele…

    É melhor parar por aqui antes que me enterre mais😆

    Mas se vale de alguma coisa, concordo que as opções estéticas de um artista – pelo menos na sua maioria – encontram razão de ser no modo como se decide exprimir. Por vezes isso é discutivel, mas não acho que seja uma dessas ocasiões. Como dizes, ambos são perfecionistas nesse aspecto, o que me faz duvidar das afirmações. Se me disserem que o som foi modificado para que os jogadores não tivessem problemas, ou seja, para que conseguissem conjugar melhor a audição com a jogabilidade, até entendo. Mas de resto…

    Dito isto – Jason Newstead, volta por favor!😛

  2. Prefiro a versão do GH, a do cd parece feita por amadores, se é intenção a capa e nome do álbum estão apropriados . Lixo com ele.🙂

  3. Engracado que estou a ler isto com uma tshirt de Metallica vestida. E não tem o artwork do Death Magnetic estampado, mas sim o do Master of Puppets.

    De qualquer forma, só agora soube dessa “guerra”, a mim pouco me importa se é melhor ou pior, eu gosto mais da versão do GH4(tenho as duas versões), bem mais cristalina. Como Metallica é trash, até faz algum sentido que tenha aquela “distorção”, se é que posso chamá-la assim.

    E concordo com o Diogo: tragam de volta do Jason.

    Eu mantenho-me com os albuns antigos e com os Black Sabbath agora tocando aqui deste lado.😛

  4. Não nego que em termos PESSOAIS prefira a versão mais cristalina. A questão é que a versão CD pode de facto ser uma opção estética: e quem somos nós para dizer que determinado tipo de de arte está certa ou errada? O que terão dito os conservadores quando surgiu o Picasso e os seus rabiscos?

    Acho que ainda mais interessante é o precedente aberto pelos Metallica: antes um disco era uma peça de arte fechada, era aquilo ou nada. Agora – provavelmente acidentalmente – foi dado às pessoas uma opção – “este com esta estética ou este “mais cristalino”?

    Como teria sido se nunca tivesse surgido a versão do Guitar Hero? E de que forma é que isto não levará as pessoas a castrarem ainda mais a inovação estética.

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