Deixo-vos com o vídeo de uma reportagem que fiz há uns meses em Londres, na excelente companhia do grande Pedro Carinhas (Sigma 3), o homem que filmou tudo isto.

Este vídeo contem entrevistas deveras esclarecedoras com a equipa de produção de Resistance: 2 e do sistema Home, mas a melhor parte é mesmo a possibilidade de ver o ambiente do evento – que teve uma segunda parte de loucura não registada em vídeo, potenciada por DJs e bebidas alcoólicas à discrição.

Depois de visualizarem a reportagem procedam a opinar sobre o assunto aqui em baixo, nestas sondagens muy lindas criadas por este vosso criado.

Os negócios dos outros

Outubro 17, 2008

Este artigo de opinião figura na revista Mega Score nº123 de Junho de 2005 e, embora desactualizado, é interessante pois mostra que… passaram três anos e pouco mudou, ou seja, eu tinha razão muahahahaha.

Os videojogadores profissionais não param de treinar por nada... NADA!

Os videojogadores profissionais não param de treinar por nada... NADA!

É prática comum criticar a forma como as coisas são feitas no nosso país, salientando-se normalmente a enorme falta de traquejo para o negócio e coragem para investir em áreas novas.
Se a maior parte das vezes é esta a realidade, mais chocante se torna a indiferença persistir mesmo quando essas áreas teimam em prosperar noutros países. O tema deste artigo é um excelente exemplo disso mesmo: o crescimento das comunidades de jogadores que dedicam uma abastada parte do seu tempo em confrontos online e em rede local (LAN).

Para melhor compreendermos este fenómeno, convém recuarmos até 1996, quando Quake estabeleceu a norma pela qual se viriam a reger as componentes para múltiplos jogadores dos jogos de acção na primeira pessoa. Apenas um ano depois foi a vez das aventuras online de universo persistente se verem materializadas definitivamente, em Ultima Online. O relativo sucesso destes dois títulos motivou que outros se aventurassem no universo online mas, ironicamente, o maior caso de sucesso verificado até à data chegou pela mão da comunidade de fãs de Half-Life (1998), que criou a modificação (mod) Counter-Strike. Dos meandros deste meio surgiram os primeiros grupos organizados de jogadores (Clãs). O que começou como uma brincadeira de jovens introvertidos, rapidamente se tornou em algo mais sério. As iniciativas amadoras deram lugar a eventos grandiosos, com prémios avultados. Nasciam os e-sports (desportos electrónicos).

A treinar desde cedo para serem os melhores desempregados da galáxia, quiçá do planeta!

A treinar desde cedo para serem os melhores desempregados da galáxia, quiçá do planeta!

Naturalmente, é dos Estados Unidos que partem as iniciativas mais abastadas do género: o famoso campeonato World Cyber Games (WCG), por exemplo, desloca-se a dezenas de países pelo mundo fora, promovendo competições em jogos como Counter-Strike e Warcraft 3. Só em 2004, cerca de um milhão de jogadores lutaram por um lugar na final, cuja soma de prémios figurava mais de dois milhões de euros (um primeiro prémio podia atingir mais de 40 mil euros). Também a Cyberathlete Professional League corre mundo a promover contendas entre jogadores. Este ano, o seu prémio principal é de 200 mil euros – quantia igual à que a Electronic Arts americana está a oferecer ao vencedor do seu campeonato de Battlefield 2.
Não é portanto de estranhar que, com tanto dinheiro em jogo, e com tanta gente envolvida, cada vez mais empresas tenham decidido mergulhar neste mundo, patrocinando eventos e equipas. Actualmente, fora de Portugal, o universo dos e-sports atingiu uma maturidade tal que existem jogadores que se profissionalizaram. É o caso do Clã sueco SK – um dos melhores do mundo – que conta com patrocínios de empresas como a Intel e a ATI.

Paralelamente, existem algumas iniciativas, também norte-americanas, que pretendem desmistificar e trazer para o mainstream este admirável universo novo. A 6161 Entertainment está a elaborar um documentário intitulado “American Gamer”. A Serendipitous Films por seu lado, está a produzir um filme baseado no universo de Counter-Strike, baptizado de “Bloodlines”. Já o livro “Smartbomb: The Quest For Art, Entertainment, And Big bucks In The Videogame Revolution”, pretende alertar o grande público para a relevância dos videojogos como forma de negócio e como veículo cultural.

Agora a sério... se vissem esta capa e esta carinha... investiam?

E onde está Portugal? Também por cá são realizados alguns eventos relacionados com e-sports e existem clãs dedicados. Mas a maioria das empresas por cá sediadas, não parece minimamente preocupada em achar novas formas de rentabilizar os seus negócios. Veja-se o caso do último WCG realizado no Estádio do Dragão no Porto (ver reportagem na Mega Score nº122), que contou com menos de uma dúzia de patrocinadores. Seria legítimo alegar que o evento não possui massa crítica suficiente para compensar o investimento, mas em quatro dias o recinto viu passar 14 mil pessoas.

A competição de jogos electrónicos é uma actividade que cativa cada vez mais gente. A introdução do sistema Bluetooth nos telemóveis e a forte aposta das consolas da próxima geração na vertente online servirão para banalizar esta prática. Eventualmente, os e-sports atingirão uma preponderância tal que será impossível ignorá-los. Será nessa altura que as empresas em Portugal irão acordar e querer uma fatia do bolo. Será também nessa altura que se vão aperceber que já vão tarde demais… como de resto já vai sendo costume.

Optimus Prime a ensaiar um olhar Magnus (vide Zoolander)

Adquiri o filme animado Transformers: The Movie (de 1986) há coisa de dois anos, mas só recentemente me apeteceu visualiza-lo. Não o fiz de ânimo leve, percebam: nos anos 80, eu era daqueles putos completamente viciados nesses robôs alienígenas transformistas, ao ponto de ter nove cassetes de vídeo daquelas de 180 minutos (3 horas, para o “pessoal de Humanidades”) repletas dos episódios da série animada que rodavam na TV. E mais, via aquilo tantas vezes que sabia TODOS os diálogos de cor e salteado. Melhor do que qualquer curso de inglês, afianço-vos.

Não sei porque escolhi esta altura em especifico para ver o filme, apenas que parti para essa viagem desconfiado de que iria apanhar uma belissima seca – «Agora já sou crescido, já tenho quase um metro e setenta, logo isto já não deve ter piada nenhuma», pensei ingenuamente.

O líder dos Autobots – Optimus Prime – morre a meio do filme. O que é isso que vos ouço dizer? Não sabiam? Não queria saber? Sou um spoiler? Se estão chocados, óptimo, porque assim compreendem como me senti quando vi um dos meus heróis de infância expirar daquela forma brutal. Qual crescidinho qual quê! Uma torrente de memorias e emoções deixaram-me literalmente de beicinho.

Findo o traumático visionamento de Transfomers: The Movie (ou como REALMENTE se deveria chamar Transformers: The Child’s Fantasy Crusher), e ainda em choque, decidi pesquisar um pouco sobre os robôs. Descobri, entre muitas outras coisas, que Optimus Prime foi em tempos Orion Pax, um tipo banal com uma carroçaria mais modesta mas que ao menos lhe valia uma babe.

Orion Pax - Optimus Prime quando era um jovem operador de armazém nas Docas

Orion Pax - Optimus Prime quando era um jovem operador de armazém nas Docas

Orion Pax e a sua babe Ariel (dispensam-se piadas sobre detergentes...)

Orion Pax e a sua babe Ariel (dispensam-se piadas sobre detergentes...)

A morte de Optimus Prime em 1986 foi de tal forma polémica que a personagem acabou por ser ressuscitada pouco tempo depois.

Após uma exaustiva busca à qual dediquei uma boa parte de um quarto de uma hora descobri o que andam os malandros a fazer actualmente (os Transformers, não o casal seus pervs):

A partir daqui – e como acontece sempre que vou ao YouTube – perdi toda e qualquer objectividade, e desatei a clicar nos vídeos que me pareciam interessantes. Descobri três simplesmente MAGNÍFICOS.

Optimus Prime toma o palco para nos mostrar a história da evolução da Dança:

Bumblebee dá uma coça a Optimus Prime

Bumble B-Boy

Metal Up Your Ears!

Outubro 2, 2008

Provavelmente já se cruzaram algures por essa net’a'fora com a recente polémica à volta do CD “Death Magnetic”, o novo bebé dos Metallica.

O mote para a discussão é a chamada Loudeness War, uma guerra travada já há uns anos nos bastidores entre engenheiros de som, que competem para conseguir o mais elevado nível de volume sem atingir a distorção.

Para realizar tal feito, é necessário aplicar ao áudio um elevado nível de compressão. O problema é que quanto mais compressão se aplica, menos qualidade de som se tem e menores são as diferenças entre os momentos fortes e fracos das músicas (o chamado Dynamic Range).

Há quem defenda que essa guerra é também responsável pela sonoridade formatada e “soa tudo ao mesmo” que costumamos ouvir nos temas mainstream, que normalmente tocam em rádios e afins.

Tudo ia bem na terra encantada do Metallica até que “Death Magnetic” chegou ao jogo Guitar Hero 3. Aparentemente, a sonoridade do ultimo álbum do quarteto metaleiro é estupidamente mais cristalina em versão de videojogo do que em versão CD.

O vídeo que se segue pretende provar que “Death Magnetic” é mais uma vitima da Loudness War.

Seja como for, acho que a malta não está bem a perceber a coisa. Quando se trata de uma das maiores bandas do mundo, é certo que  NADA acontece por acaso. Se o CD tem a sonoridade que tem, então é porque é suposto soar assim, certo? Especialmente quando vem do covil de tipos tão control freaks como o James e o Lars.

Já quando a banda lançou “Saint Anger”, inúmeros energúmenos (rima feliz) urraram que o disco tinha um som péssimo, incapacitados de compreender que aquela sonoridade era uma opção estética (e magnifica, na minha opinião).

O que se segue? Será que o próximo álbum dos Ministry vai ser ser trucidado por um bando de néticos desesperados por atenção, que exigirão uma versão “menos barulhenta” (quiçá acústica) do disco?

Quando chegamos ao ponto de achar que a versão de um disco conforme nos é apresentada num videojogo está mais “correcta” do que a original… alguem precisa de fazer um ego check.

Podem ler mais sobre este assunto aqui e aqui. E deixar a vossa opinião em estrangeiro aqui.

E vocês? ouviram o disco? o que acham?